O Governo do Distrito Federal declarou hoje (10) que fará um inquérito sorológico para avaliar a evolução da pandemia nas diferentes regiões da capital. A pesquisa faz parte de um novo plano de enfrentamento à covid-19 anunciado pela administração distrital.

Em entrevista coletiva em Brasília, representantes do GDF afirmaram que o intuito do inquérito é saber como a doença se espalhou por diferentes regiões administrativas para além dos casos identificados pelo tratamento nas unidades de saúde.

Isso porque uma parte ainda não conhecida pode ter sido infectada mas pelo fato de não ter demonstrado sintomas não se consultou com médicos ou procurou atendimento em postos de saúde ou hospitais. O mesmo foi feito no Brasil em estudo conduzido pela Universidade Federal de São Paulo.

“O nosso inquérito vai ser busca ativa. Nos outros locais as pessoas procuravam e tínhamos os dados. Quando observamos que tinha número acima de transmissão, de pessoas que tinham anticorpos mas não tinham notificação a gente busca o inquérito epidemiológico para ter os dados mais específicos”, disse o secretário de Saúde, Osnei Okumoto.

Outro objetivo do inquérito será subsidiar o Governo do Distrito Federal para eventuais ações que possam vir a ser necessárias diante do aumento novamente da taxa de infecção na capital. Os representantes ponderaram que ainda não se sabe se o Brasil terá uma segunda onda nos moldes do que vem ocorrendo na Europa.

“O primeiro objetivo é identificar a prevalência de covid-19, quantas pessoas tiveram contato com o vírus. Quem são as pessoas, onde elas mais adoecem para que possamos ter perfil epidemiológico e possa nos dar subsídios para tomadas de decisões”, pontuou o secretário de Vigiância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, Cássio Peterka.

Ele acrescentou que o propósito é “evitar o ressurgimento da pandemia”. “Buscamos informações concretas para tomada de decisão”, completou. Com essas informações, as autoridades de saúde poderão se antecipar a um eventual crescimento repentino de uma possível segunda onda.

O inquérito funcionará tomando uma amostra de áreas dentro de cada uma das 34 regiões administrativas (unidade territorial dentro do Distrito Federal). Nelas serão sorteados quadrantes e lotes onde estão residências, para formar uma amostra a ser avaliada. Foram doados 10 mil testes do Serviço Social do Comércio (Sesc) DF.

Estratégias
O subsecretário de Atenção Integral à Saúde do DF, Alexandre Garcia, apresentou outras estratégias que farão parte do plano de enfrentamento à pandemia daqui para frente. O Distrito Federal tinha até o dia 7 de novembro 215 mil casos e 3.373 mortes em função da covid-19. Na primeira onda, ressaltou, os casos evoluem com as mortes. Na segunda onda, o número de mortes é inferior ao da primeira, se tomados os exemplos da Espanha e na França.

Ele ressaltou que as autoridades aprenderam a lidar com o vírus e é normal que em uma segunda onda ele seja menos letal. Mas o vírus sofreu uma mutação e se tornou mais contagioso e menos letal. É difícil saber se haverá segunda onda, mas diante desta incerteza a linha é se preparar para o pior.

O subsecretário elencou alguns focos de ação. Um deles é o monitoramento de pacientes, idealmente por telefone ou outros dispositivos tecnológicos. São necessários direcionamentos nas unidades básicas e a disponibilização dos equipamentos e proteção individual (EPIs) aos profissionais de saúde.

“Se houver uma provável segunda onda, o paciente vai ter que seguir para a unidade de saúde. Não vamos ter mais um hospital central, será em cada região com equipes treinadas para o acolhimento e direcionamento, dependendo do que for apresentado. Dentro da unidade será feita a identificação se é síndrome gripal ou respiratória aguda grave para direcionar ao domicílio ou a um hospital”, explicou Garcia.

Foram redefinidos protocolos, como higienização das mãos, indicação do paciente para uma sala específica ventilada e os procedimentos a serem adotados pelos profissionais de saúde, incluindo a forma de monitoramento dos pacientes a partir dos sintomas. Ele lembrou que o eventual tratamento depende da decisão de cada médico.

O secretário adjunto de Assistência à Saúde, Petrus Sánchez defendeu, durante a entrevista, que é preciso adaptar e neste caso a medida é focar mais na atenção primária, do que no primeiro momento, quando havia atenção maior à alta complexidade. “Estamos nos preparando caso os indicadores possam apresentar informações de que precisemos suspender a desmobilização e introduzir a remobilização de uma quantidade de leitos”, observou.

– Jonas Valente – Repórter Agência Brasil – YWD 11131